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Thursday, August 28, 2008
ABC
É que eu tava com saudade, entende?
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Saturday, August 23, 2008
Sorria Nuzman!
Ouro para o Brasil. Toca a vinheta na Globo (Ta nã nã nã, tã rã rã rã rã). Mostra a família! O pai ta chorando, a filha ta chorando, o vizinho ta chorando, o prefeito da cidade ta chorando, o gari ta chorando. Corre o repórter pra entrevistar os vencedores, abre-se o link Pequim-São Roque, Pequim-Afogados da Ingazeira, Pequim-Santos e tome mais choro. Hora do pódio, bandeira do Brasil subindo, hino nacional e o Nuzman na foto. Vimos essa cena três vezes nestas Olimpíadas. Foram 12 atletas do vôlei feminino mais a Maurren e o Cielo, 14 representates que levaram a dourada pro Brasil. Cerca de 5% dos 277 esportistas que formaram a tão gabada maior delegação olímpica da história deste país. O Nuzman, antes dos jogos, a comparou com a da Espanha, que levava um pouco mais atletas, esquecendo porém que a população de lá é um pouco maior que um 1/5 da do nosso Brasil.
Esta mesma delegação nunca havia chegado com tantos favoritos. Tiago Camilo, ippon, João Derly, ippon, Diego Hipolyto, caiu, Rodrigo Pessoa, penalizou, Jadel Gregório, queimou, Jade Barbosa, chorou, Thiago Pereira, nem viu a cor do Phelps, Ronaldinho, levou olé hermano, a Marta não marcou, a Murer perdeu a vara e todo mundo chorou, chorou muito, praticamente um Rio Amazonas de decepção. Nessa hora pode-se enxergar dois lados da moeda. O primeiro o da falta de apoio, corretíssimo de ser lembrado, afinal, para citar como exemplo, considerar o Estádio do Ibirapuera em um centro de excelência no Atletismo é crer na virgindade da Britney Spears. O segundo, que resolvi me apegar, é o do descontrole emocional e da descrença potencial, o popular Amarelar, típico do atleta brasileiro.
Quando a Jade Barbosa chegou em Pequim ficou assustada com a quantidade de repórteres que abordaram ela no aeroporto. Quando Cielo chegou a Pequim ele garantiu, "Vou lutar pelo Ouro". Essa simples diferença, existe na preparação do atleta que não se restringe ao controle de dietas, aos exaustivos treinos e as abdicações sociais que o esporte de alto rendimento exige. Existe no acompanhamento psicológico que os verdadeiros campeões possuem e que os levam para competição não com medo de perder e sim com vontade (e as vezes certeza) de ganhar. Para se ter um exemplo, Phelps desde os 18 anos tem uma psicóloga na equipe. Aos 23, fez o que fez em Pequim.
O atleta brasileiro, como todo bom latino, é emotivo demais e não é preparado para a incorreta carga de responsabilidade que é colocada em suas costas por certos meios jornalísticos que buscam audiências em projeções ufanistas, alicerçada em declarações de dirigentes, algumas semanas antes de uma Olimpíadas. Carga essa de um país que, acostumado com os louros do Futebol, sintetiza triunfo exclusivamente no Ouro. E o resultado disso é o patético fato de ver que um país do tamanho do nosso só ganhou a primeira medalha em esporte individual feminino na 29ª edição dos jogos. É saber que o Quênia, uma das nações mais miseráveis do planeta, investe 2 milhões de dólares por ano no Atletismo e traz 14 medalhas enquanto os 14 milhões investidos neste esporte pelo Brasil, rendem uma solitária.
E o Nuzman e sua laia amiga de dirigentes (Coaracy, Grego etc)? Esses se apoiam no Viva essa Energia do Pan 2007! Energia que faltou no centro de jornalismo do Rio-centro, energia que desapareceu nos enlagados campos de beisebol na cidade do rock, energia que não rendeu a prometida despoluição da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, energia que não faltou no super, hiper, ultrafaturamento da verba para os jogos de 2007. Esses se apegam a um utópico projeto de trazer os jogos olímpicos para o Rio de Janeiro em 2016, tentando transformar uma nação do tamanho de um Panamericano, em uma pseudo-potência Olímpica. Mas esses também não pagam a psicóloga da seleção feminina de vôlei, que bancada pelo próprio bolso do Zé Roberto Guimarães, ajudou as meninas a superarem o trauma de Atenas e calar a boca de muita gente desse país . Esses, também esquecem de dar o uniforme da maratonista Marily dos Santos, que teve que pegar emprestado do Frank Caldeira pra competir em Pequim. Mas aí vem uma exceção de ouro e quem ta na foto? O Nuzman e companhia limitada, de terninho e com o sorriso no rosto. E viva essa energia!

Ps: Nunca havia feito um post neste estilo aqui no blog, sempre preferindo gerar conteúdo e não demonstrar opiniões. Mas, dessa vez precisava desabafar. Desculpas sinceras pela extensão.
Ps²: A propósito, a Espanha, comparada pelo Nuzman com o Brasil, ficou na nossa frente no quadro de medalhas com 5 ouros, 10 pratas e 2 bronzes.
Aquele Abraço
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